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quinta-feira, 21 de abril de 2022

Freixenet Cordon Negro Gran Selección brut

 

Tudo bem, tudo certo que o champagne é a bebida mais famosa do planeta e claro entre os borbulhantes também. É aquele sonho de consumo de muitos pobres mortais assalariados como eu. São os únicos que podem carregar esse nome entre os famosos vinhos de perlages, onde carrega o mesmo nome da região, na França, que é concebido.

Hoje costumamos, com toda a razão e mérito, que, caso queira degustar um vinho espumante, mais próximo da realidade financeira de muitos (nem tanto, nem tanto...), com o maior leque de opções possíveis, temos de recorrer aos nossos espumantes, os espumantes brasileiros que vem atingindo reconhecimento de qualidade, conquistando prêmios em nossas terras e em todo o mundo nos principais polos de produção vitivinícola, principalmente a terra do champagne: a França.

Temos também os grandes proseccos italianos: sinônimo de frescor, de leveza, de sabor pronunciado de frutas brancas, citricidade etc e que se deu muito bem, inclusive, no Brasil. Claro que é uma grande opção para degustar aqui no Brasil, levando em consideração que o nosso país, tropical, tem dias quentes e de sol a maior parte do ano.

Mas não podemos negligenciar uma linha de espumantes também famosos na Espanha, mais precisamente nas terras da Catalunha, que são os cavas, os cavas espanhóis. Eu confesso que pouco degustei cavas em minha história enófila, para dizer que não degustei e gostei o meu primeiro e único rótulo foi o Real de Aragón, composto pelas castas Chardonnay e Macabeo.

Lembro-me que, ávido pela curiosidade como sempre, busquei o nome “Cava” na grande rede e decidi investigar, procurar sobre e quando tive acesso a tais informações fui para o segundo plano: localizar um rótulo interessante e que fosse atrativo monetariamente falando. Encontrei o Real de Aragón na faixa dos incríveis R$ 45,00! Hoje, o custo Brasil, os encargos tributados impedem de degustar um Cava a este valor.

Mas tenho a sorte de ter alguns bons e queridos amigos e eu fui presenteado por um Cava, um Cava que sobrara de uma festa de quinze anos da filha dessa querida amiga e ela, sabendo das minhas predileções pelo vinho, me presenteou com um rótulo, que hoje é famoso, bem famoso.

O vinho que degustei e gostei veio da região de Penedès na Espanha e se chama Freixenet Cordón Negro, sem safra, composto pelas castas tradicionais Macabeo, Parellada, Xarel·lo. E como temos muito a contar, antes de falar do vinho falemos das castas típicas da Espanha, da região a qual o vinho foi concebido e sobre os Cavas espanhóis.

DO Cava

Originário da Catalunha, ao leste da Península Ibérica, esse vinho espumante remonta ao século XIX, quando, em 1872, foram feitas as primeiras garrafas em uma pequena cidade da província de Barcelona. Inicialmente chamada de champán ou xampany, a intenção era imitar os vinhos feitos em Champagne, na França.

Mas, com o passar dos anos, os espanhóis perceberam que seu produto tinha qualidade elevada, porém, características diferentes da bebida francesa, e encontraram na palavra cava — que significa adega ou cave — a sua melhor definição.

No entanto, a Denominação de Origem só foi instituída em 1972, quando passou a ser necessário seguir algumas normas para imprimir essa denominação nos rótulos. De acordo com a atual legislação, as zonas geográficas autorizadas englobam 106 cidades (das quais se destaca Penedés) espalhadas em sete comunidades autônomas: Catalunha, Navarra, Aragão, Rioja, Extremadura, Valência e Álava. Apesar de toda essa abrangência, a maioria massiva da produção é catalã, especialmente da região de Penedés.

DO Cava

O Cava é um produto com origens locais, baseado em variedades autóctones espanholas, que desenvolveu um estilo próprio e ganhou grande prestígio pelo seu estilo e competitividade. As variedades principais são Macabeo (Viura), Xarel·lo y Parellada. A Macabeo aporta doçura e perfume, a Parellada aporta finesse, frescor e aromas e Xarel-Lo aporta corpo e estrutura.

No início do século 20 foram experimentadas a Chardonnay e a Pinot Noir, aproximando o Cava do estilo do Champagne (existem Cavas produzidos apenas com essas duas uvas francesas). Mais recentemente foi autorizado o uso da Pinot Noir nos Cavas rosados, antes era permitida só em Cavas brancos.

As principais variedades de uvas tintas são: Garnacha Tinta, Monastrell, Pinot Noir e Trepat (somente autorizadas para Cavas Rosados) e as principais variedades de uvas brancas são: Macabeo (Viura), Xarelo.lo, Parellada, Subirat (Malvasia Riojana) e Chardonnay.

Métodos de produção do Cava

Assim como em Champagne, para a produção dos Cavas, é utilizado o método champenoise, também conhecido como tradicional. Nele, o vinho base é engarrafado com o acréscimo de leveduras e açúcar, para que a segunda fermentação (aquela que origina o gás carbônico da bebida) ocorra dentro da própria garrafa.

Uma vez realizada a fermentação, é feito o processo de remuage, que consiste em colocar as garrafas em um cavalete com o gargalo para baixo, onde durante alguns dias são giradas em 1/4 de volta, fazendo com que o sedimento decante na tampa. Feito isso, congela-se o gargalo com nitrogênio líquido e remove-se a parte sólida. Apenas depois dessas etapas é que a bebida recebe o licor de expedição e a rolha.

Além do método de elaboração ser obrigatoriamente o tradicional, para receber essa denominação, o espumante deve permanecer em contato com as leveduras por, pelo menos, nove meses após a fermentação.

Características do Cava

De cor amarelo limão, os Cavas podem ir de elegantes e delicados a muito encorpados. Parte disso é o método utilizado em sua produção, do qual já falamos acima. Por conta da forte incidência solar nas regiões produtoras, seu sabor e perfume são muito mais frutados. Já o inverno ameno traz docilidade às uvas, característica transferida aos rótulos.

Esse estilo traz ao nariz aromas cítricos com um toque de pera e, à boca, muito frescor. São ideais para consumir ainda jovens. Apesar da tenra idade desse espumante, ele pode apresentar três classificações:

ü  Jovem: a segunda fermentação dura entre 9 e 14 meses e tem selo branco;

ü  Reserva: com selo verde, a segunda fermentação leva de 15 a 29 meses;

ü  Gran Reserva: sua segunda fermentação é de pelo menos 30 meses e recebe um selo preto.

Diferenciado pela quantidade de açúcar acrescentado após o processo de maturação.

ü  Brut Nature: Sem adição de açúcar, até 3 gramas por litro

ü  Extra Brut: Até 6 gramas por litro

ü  Brut: Entre 7 e 12 gramas por litro

ü  Extra Seco: Entre 12 e 17 gramas por litro

ü Seco: Entre 17 e 32 gramas por litro

ü Semi Seco: Entre 32 y 50 gramas por litro

ü Dulce: Mais de 50 gramas por litro

O Instituto del Cava oficializou em março 2017 um novo nível de qualidade superior, caracterizado pela origem de vinhedo único, divulgando os primeiros classificados para sua utilização comercial.

A definição oficial é Cava obtido a partir de um vinho produzido com uvas de um lugar específico (paragem), cujas próprias condições edáficas e microclimáticas, juntamente com critérios de qualidade na sua produção e processamento, levaram a um cava com características únicas.

As castas

Macabeo

É a uva vinífera branca mais popular do norte da Espanha, também conhecida como Viúra. Os nomes Macabeu e Maccabéo são mais comuns em Languedoc-Roussillon, no sul da França. Macabeo aparece em grande parte de sua terra natal, na Espanha. Viúra é comum em Rioja, onde é, de longe, a uva de vinho branco mais plantada.

Uma informação relevante: essa é uma das principais variedades utilizadas na produção dos espumantes Cava. Na maioria das vezes engarrafado jovem, o vinho produzido com essa uva é seco, e tem uma boa capacidade de envelhecimento, como comprovam os melhores exemplares da cepa.

E essa é uma uva, naturalmente, de alto rendimento. Sem o devido cuidado, os frutos ficam muito grandes, com baixa proporção entre casca e polpa, e os cachos, de tão apertados, podem facilmente apodrecer. Mas, com a planejada redução por parte do viticultor, essa uva concentra aromas e sabores de maneira muito interessante.

Xarel-lo

A uva de pele clara Xarel-lo é uma variedade típica e amplamente cultivada na região da Catalunha, nordeste da Espanha. A Xarel-lo é utilizada na produção de diversos estilos de vinho, no entanto, é conhecida principalmente por participar da composição dos famosos espumantes Cava, ao lado das uvas Macabeo e Parellada.

Adicionando excelente acidez aos vinhos que dá origem, a Xarel-lo é altamente valorizada pelos produtores, se destacando como uma das melhores uvas espanholas. Com pele grossa, essa variedade é rica em polifenóis e possui ótimo equilíbrio entre seus ácidos e açúcares, tornando-se a grande responsável pela alta capacidade de envelhecimento dos tradicionais vinhos espumantes Cava.

As vinhas da Xarel-lo se adaptam facilmente a solos com diferentes tipos de composição e são capazes de tolerar uma ampla gama de climas, produzindo frutos de tamanho médio e apresentando um tempo de amadurecimento razoável, o que as tornam extremamente populares entre diversos produtores. Embora a uva Xarel-lo seja famosa pela elaboração de bons vinhos espumantes, essa variedade também é utilizada na produção de vinhos de mesa seco, principalmente, nas redondezas da cidade de Alella, que fica a alguns quilômetros da cidade de Barcelona.

Parellada

A uva Parellada, nativa da Catalunha, é cultivada exclusivamente em sua região de origem e participa da composição do prestigiado vinho espumante Cava. Conhecida também como Montonec ou Montonega, essa variedade de uva é cultivada nas montanhas do Alto Penedès, a 600 metros acima do nível do mar.

A Parellada atinge o ápice qualitativo quando cultivada em grandes altitudes, onde as baixas temperaturas favorecem sua acidez natural e necessita de um período maior de tempo para desenvolver todos os seus compostos aromáticos. Essa variedade é utilizada, principalmente, na fabricação de alguns dos melhores espumantes espanhóis, o Cava, ao lado das uvas Xarel-lo e Macabeo.

A Parellada, considerada a uva mais elegante e refinada entre as três variedades, é responsável por adicionar acidez e frescor aos exemplares. Os vinhos elaborados a partir da uva Parellada apresentam aromas florais e cítricos, além de serem exemplares extremamente delicados, ricos em acidez, aromáticos, com coloração brilhante e contam com a presença de um baixo teor alcoólico.

DO Penedès

A menos de meia hora de Barcelona está o DO Penedès que pode orgulhar-se de 2.700 anos de história. As últimas descobertas arqueológicas na Font de la Canya encontraram vestígios de grainhas de uva, o que mostra que os habitantes desta zona já faziam vinho nesta época, assim como uma vasilha grega, um sinal inequívoco, para o beber.

Este local, a Font de la Canya, era um armazém de cereais, vinho e metais. A sua proximidade com aquela estrada romana conhecida por Via Augusta e que coincide com as atuais linhas ferroviárias e autoestradas, faz imaginar que seja um poderoso povoado de produtores e comerciantes.

DO Penedès

Recuando no tempo, a uma época muito passada, em que esta depressão que hoje é conhecida como Penedès foi ocupada pelo mar, e que mais tarde recuou até como a conhecemos hoje, deixou a sua marca na terra depois de milhões de anos podemos encontrar notas iodadas e salinas nos vinhos que são feitos com as uvas aqui cultivadas. Como prova dessa afirmação, restos marinhos foram encontrados, como fósseis de ostras, bivalves, dente de tubarão, etc. que nos falam sobre seu passado como um mar.

Recuando a uma época mais recente, já na nossa era cristã, foram encontrados documentos escritos do século X que falam da viticultura nesta zona do Penedès. E já no nosso momento atual, e como consequência do crescimento de 3 grandes vinícolas neste DO Penedès, tem motivado a criação de dois DOs independentes: o DO Cava e o DO Catalunya.

À semelhança do modelo francês, já pensam em distinguir as diferentes subáreas que compõem este território. Esta DO está também a trabalhar na divulgação de todas as idiossincrasias desta zona, promovendo o enoturismo com visitas guiadas a adegas e espaços culturais da zona. Também o esforço de recuperação da uva autóctone como forma urgente de se adaptar às consequências desastrosas e irrefreáveis ​​das alterações climáticas.

DO Penedès

O clima é mediterrâneo. Os verões são quentes, os invernos são suaves, e as chuvas moderadas estão concentradas, principalmente na primavera e no outono. Mas a variação climática é bastante grande, dentro da região.

A denominação é composta por 3 zonas distintas: Penedès Superior (próxima às cordilheiras do interior), Penedès Marítimo ou Baixo (entre o mar e as colinas costeiras) e Penedès Central (na planície entre essas duas zonas). Aproximadamente 75% dos vinhedos da denominação estão ocupados com vinhas de cepas brancas, sendo que as mais cultivadas são: Xarel-lo, Macabeu, Parellada, Chardonnay e Moscatel d’Alexandria.

Entre as tintas, as mais cultivadas dentro das regras do conselho regulador são Merlot, Cabernet Sauvignon e Tempranillo. É possível observar, nessa região, uma tendência dos produtores para as cepas internacionais, em detrimento às nativas. O estilo dos vinhos de Penedès varia de secos a doces, tranquilos a espumantes, podendo ser brancos, tintos ou rosés. Os melhores tintos encorpados vêm do Alto Penedès, ou Penedès Superior. Os brancos frescos de maior destaque, em contrapartida, são produzidos no Baixo Penedès.

E agora finalmente o vinho!

Na taça entrega um lindo amarelo palha, brilhante e com reflexos esverdeados com perlages finos, abundantes e persistentes.

No nariz traz aromas delicados de frutas brancas, tropicais e cítricas que destacam pera, abacaxi, maracujá, lima, limão siciliano, sente-se também um fundo de ervas. Corrobora com a sua elegância e frescor um toque agradável de flores brancas

Na boca é fresco, leve, saboroso, tem um excelente volume de boca, bem amplo, graças a uma discreta, mas evidente cremosidade, untuosidade, certamente por ter sido concebido pelo método tradicional e também permanecido de 18 a 24 meses em garrafa, com uma acidez instigante, correta e equilibrada, com um final longo e persistente com um retrogosto frutado.

Lançado originalmente em 1974, Freixenet Cordón Negro é leve, apreciado por seu grande frescor e conhecido mundialmente por sua emblemática garrafa preta e dourada. O meu retorno às degustações do Cava foi em grande estilo. Um espumante extremamente versátil e que entrega personalidade, estrutura, untuosidade, cremosidade, mas que aponta frescor, leveza, delicada, as notas frutadas e muito, muito sabor, um vinho cheio na boca. Tem 12% de teor alcoólico.

Sobre a Henkell Freixenet:

Em 1861, em Sant Sadurní d´Anoia (Penedès) a família Sala começava um empreendimento de produção e exportação de vinhos de qualidade. No começo do século XX, acontece o casamento entre Dolores Sala com Pedro Ferrer, que revolucionaria o negócio ao unir os conhecimentos de enologia de Dolores com a capacidade comercial e inovadora de Pedro. Do casamento, nasce a marca Freixenet, uma das maiores produtoras de Cava, cuja primeira garrafa elaborada com o nome da marca, surge em 1911.

Desde a produção da sua primeira garrafa, até o dia de hoje, a marca continuou viva e seguiu crescendo, devido a inovação e qualidade, como principais valores da empresa. Atualmente além das uvas produzidas nos próprios vinhedos, a Freixenet também é abastecida com a produção de mais de 2.000 viticultores da região. A casa “La Freixeneda”, onde a marca foi fundada, continua ativa, como casa-museu e com uma produção de Cavas emblemáticos.

Em 2018 a Freixenet e a Alemã Henkell se fundem nascendo o Grupo Henkell Freixenet, mantendo o espírito familiar das marcas e conseguindo a força necessária para ser a maior produtora de espumantes do mundo. A cooperação entre Espanha e Alemanha cria o líder mundial no setor de espumantes, permitindo que Henkell e Freixenet, ampliem seu portfólio e desenvolvam novos mercados e canais de distribuição.













quarta-feira, 12 de maio de 2021

Clos de Torribas Crianza 2013

 

Não se engane e não se deixe enganar pelos vinhos baratos. Não se engane e não se deixe enganar com a discriminação e a intolerância de algumas pessoas quando falam dos vinhos vendidos em supermercados. Você pode se surpreender com os rótulos que podem encontrar a um baixo preço nos supermercados. Desde que me entendo como enófilo, que sempre fiz as minhas incursões em supermercados e sempre encontrei vinhos especiais, surpreendentes nesses pontos de venda. Claro que seguir recomendações básicas de especialistas e ter bom senso, senso crítico é também extremamente conveniente, mas não podemos nos condicionar a comentários preconceituosos que segrega.

Por que estou dizendo isso tudo? Passei por uma experiência incrível de um vinho que avistei em uma gôndola de um grande supermercado, que estava meio esquecido, quase no chão, de tão vilipendiado e com alguma poeira em si e no seu entorno. Qualquer um, em uma pretensa “sã consciência” não arriscaria comprar um vinho nessas condições custando em torno de R$ 32,00!

Evidente que o preço atrai, pode ser, confesso pernicioso em alguns momentos e ser, em grande parte, o fator preponderante para uma compra de vinho, mas, quando o tomei pelas mãos, embora com algum ceticismo inicial, senti, meu coração dizia, apesar do valor excepcional, que se tratava de um vinho, no mínimo interessante. Esse fora o meu primeiro crianza. Esse foi a abertura de uma janela para o mundo maravilhoso dos vinhos espanhóis que eu pouco conhecia e que, talvez pelo desconhecimento, abriu um precedente para uma visão pré-concebida, preconceituosa mesmo, dos vinhos desse tradicional país.

Acredito que tenha sido por intermédio desse vinho que o meu interesse pelos rótulos evoluídos, com capacidade de guarda, tenha surgido e confesso também que esse tenha sido o motivo pelo qual tenha surgido junto o meu ceticismo, afinal esse rótulo era de uma safra “antiga”, 2013, e acredito também que a safra tenha feito com que o valor do vinho tenha despencado. Decidi compra-lo e decidi também que não levaria muito tempo para degusta-lo, estava muito curioso em tê-lo em minha taça. É chegado o grande dia! Desarrolhei o vinho, ainda com resquício de desconfiança, mas muito animado e quando o coloquei em minha taça, que maravilha! O vinho que degustei e gostei veio de uma famosa, mas que eu não conhecia até então, região espanhola de Penedès, da igualmente famosa Bodega Pinord, e se chama Clos de Torribas, um crianza, composto pelas castas Tempranillo (90%) e Cabernet Sauvignon (10%) da safra 2013. Então falemos um pouco do conceito de “crianza” e contar um pouco da história da região de Penedès.

Crianza

O termo “Crianza”, encontrado em alguns dos rótulos dos vinhos espanhóis, ainda causa muita confusão. Ao contrário do que muitos imaginam a palavra não está relacionada à jovialidade do vinho (não tem nada a ver com criança). A questão principal ao falar sobre um vinho Crianza é a sua maturação. O termo Crianza em espanhol é aplicado para determinar que àquele vinho passou por um processo em barrica de carvalho, desse modo, entrando em contato com madeira, e com isso, adquirindo corpo.

Geralmente um crianza estagia, no mínimo, seis meses em barrica de carvalho. Nas regiões de Rioja e Ribera del Duero, o tempo em carvalho aumenta para um ano. No caso dos brancos e rosés, mínimo de seis meses em barricas e total de um ano e meio de amadurecimento. E o que isso representa? Que é um vinho mais elaborado e que, por ter amadurecido em contato com a madeira, ganhou mais complexidade de aromas e sabores quando comparado a vinhos que não passam por este estágio.

Como todos os vinhos que passam por madeira – e podemos incluir os vinhos Reserva e Gran Reserva – os vinhos Crianza tem um maior volume de aromas, complexidade e sabores. São indicados para uma apreciação paciente e para acompanhar pratos que exijam uma presença de vinhos aromáticos.

Leia mais sobre os vinhos crianza, reserva e gran reserva em: Classificação dos Vinhos Espanhóis.

DO Penedès

A menos de meia hora de Barcelona está o DO Penedès que pode orgulhar-se de 2.700 anos de história. As últimas descobertas arqueológicas na Font de la Canya encontraram vestígios de grainhas de uva, o que mostra que os habitantes desta zona já faziam vinho nesta época, assim como uma vasilha grega, um sinal inequívoco, para o beber. Este local, a Font de la Canya, era um armazém de cereais, vinho e metais. A sua proximidade com aquela estrada romana conhecida por Via Augusta e que coincide com as atuais linhas ferroviárias e autoestradas, faz imaginar que seja um poderoso povoado de produtores e comerciantes.

Penedès

Recuando no tempo, a uma época muito passada, em que esta depressão que hoje é conhecida como Penedès foi ocupada pelo mar, e que mais tarde recuou até como a conhecemos hoje, deixou a sua marca na terra depois de milhões de anos podemos encontrar notas iodadas e salinas nos vinhos que são feitos com as uvas aqui cultivadas. Como prova dessa afirmação, restos marinhos foram encontrados, como fósseis de ostras, bivalves, dente de tubarão, etc. que nos falam sobre seu passado como um mar.

Recuando a uma época mais recente, já na nossa era cristã, foram encontrados documentos escritos do século X que falam da viticultura nesta zona do Penedès. E já no nosso momento atual, e como consequência do crescimento de 3 grandes vinícolas neste DO Penedès, tem motivado a criação de dois DOs independentes: o DO Cava e o DO Catalunya. À semelhança do modelo francês, já pensam em distinguir as diferentes subáreas que compõem este território. Esta DO está também a trabalhar na divulgação de todas as idiossincrasias desta zona, promovendo o enoturismo com visitas guiadas a adegas e espaços culturais da zona. Também o esforço de recuperação da uva autóctone como forma urgente de se adaptar às consequências desastrosas e irrefreáveis ​​das alterações climáticas.

DO Penedès

O clima é mediterrâneo. Os verões são quentes, os invernos são suaves, e as chuvas moderadas estão concentradas, principalmente na primavera e no outono. Mas a variação climática é bastante grande, dentro da região. A denominação é composta por 3 zonas distintas: Penedès Superior (próxima às cordilheiras do interior), Penedès Marítimo ou Baixo (entre o mar e as colinas costeiras) e Penedès Central (na planície entre essas duas zonas). Aproximadamente 75% dos vinhedos da denominação estão ocupados com vinhas de cepas brancas, sendo que as mais cultivadas são: Xarel-lo, Macabeu, Parellada, Chardonnay e Moscatel d’Alexandria. Entre as tintas, as mais cultivadas dentro das regras do conselho regulador são Merlot, Cabernet Sauvignon e Tempranillo. É possível observar, nessa região, uma tendência dos produtores para as cepas internacionais, em detrimento às nativas. O estilo dos vinhos de Penedès varia de secos a doces, tranquilos a espumantes, podendo ser brancos, tintos ou rosés. Os melhores tintos encorpados vêm do Alto Penedès, ou Penedès Superior. Os brancos frescos de maior destaque, em contrapartida, são produzidos no Baixo Penedès.

E agora o vinho!

Na taça tem um vermelho rubi intenso e brilhante quase escuro com discretos tons atijolados na borda, com lágrimas finas e abundantes que teimavam em se dissipar da parede do copo.

No nariz se destaca o aroma da madeira, graças aos 12 meses de passagem por barricas de carvalho, de frutas vermelhas maduras, toques herbáceos, de especiarias e de terra.

Na boca é seco, de paladar suave, moderado, delicado e elegante, mas mostrando complexidade graças a passagem pela madeira amaciando o vinho e também pelo tempo em garrafa, de mais 12 meses, antes de sair da vinícola. É percebido também as notas amadeiradas muito bem integrado aos taninos, polidos e presentes, com a acidez de leve para moderada que ainda lhe confere frescor e vivacidade. Final longo e persistente com retrogosto frutado.

Um crianza espetacular e que ainda estava no auge, na plenitude de sua personalidade e expressividade, entregando também elegância e equilíbrio. Um vinho complexo como todo o crianza pode proporcionar. Um vinho esquecido e desprezado na gôndola do supermercado, barateado porque estava encalhado, mas que se revelou especial e surpreendente, poderoso e delicado e com essa versatilidade certamente pode ser democrático nos mais variados e exigentes paladares. Ponto positivo também para a tradicional e gigante Bodegas Pinord que é sinônimo do que há de melhor das terras espanholas enaltecendo seu terroir, a importância de Penedès e dos seus grandes rótulos nas mais diversas expressões e propostas. Viva as grandes supressas e aos grandes vinhos espanhóis. Tanto gostei dos crianzas da Pinord que degustei o Viña Chatel da safra 2013! Tem 13% de teor alcoólico.

Sobre a Bodegas Pinord:

Bodegas Pinord têm mais de cem anos de experiência em vinificação na região de Penedès, no nordeste da Espanha, em seu nome. Eles produzem vinhos e cavas (espumantes), usando métodos tradicionais, herdados de seus ancestrais. Hoje, o uso de tecnologia de ponta, juntamente com uma equipe excepcional de profissionais esforçados, ajuda a tornar seus vinhos e cavas famosos em todo o mundo. A história da Bodegas Pinord remonta ao tempo em que, há mais de cento e cinquenta anos, a família Tetas começou a produzir vinhos brancos e tintos em sua propriedade em Sant Cugat Sesgarrigues a partir de uvas que eles mesmos haviam cultivado. Mesmo naquela época, eles produziam e envelheciam os vinhos usando os métodos mais tradicionais empregados na região. Em 1942, Josep Maria Tetas instalou a atual vinícola em Vilafranca del Penedès, a apenas quatro quilômetros da propriedade original. É o nome desta vinha que, de fato, inspirou a família a criar o nome da empresa: “Pi del Nord” (Pinheiro do Norte) e hoje, que foi reconvertida para a agricultura orgânica, fornecendo à vinícola uvas de alta qualidade, assim como fez séculos antes. Naquela época, Miquel Tetas, pai de Josep Maria, fermentou uvas Xarel·lo de suas vinhas e, uma vez que foi dito, ele viajou a noite toda com um cavalo e uma carroça e dois barris de 500 litros para vender seus vinhos em Barcelona, ​​onde os habitantes desfrutaram muito da delicadeza de seus vinhos. Logo, Josep Maria Tetas, que era um homem inquisitivo e empreendedor, observou como alguns de seus vinhos jovens emitiam espontaneamente pequenas quantidades de dióxido de carbono - bolhas como os petilantes franceses ou os frizzantes italianos. Ele começou a investigar como fermentar suas uvas, a fim de manter essa efervescência em seus vinhos. Reynal, o primeiro vinho pérola fabricado na Espanha, foi o resultado de sua pesquisa. O sucesso foi imediato e foi muito além das expectativas: muito em breve, a Pinord começou a exportar seus vinhos para todo o mundo e a vinícola cresceu rapidamente. Eles estenderam a vinícola e aumentaram a produção. Foi durante esses anos que Marrugat Cavas foi criado usando o sobrenome da esposa de Josep Maria Teta, cuja família há muito estava ligada à produção de vinho na região de Penedès. Eles também começaram a fazer uma variedade de vinhos tranquilos, muscadelle e outras especialidades que compunham um portfólio muito amplo de vinhos, ganhando elogios da vinícola e fama internacional durante os anos cinquenta e sessenta. Foi nessa época que Pinord se tornou um dos pontos de referência da vinificação em Penedès. Nos últimos anos, a Bodegas Pinord ampliou sua gama de produtos e começou a produzir vinhos em outras denominações de vinhos na Espanha. Estes novos vinhos são todos feitos usando métodos de agricultura biológica. Geração após geração, a filosofia da família Tetas pode ser resumida nas seguintes palavras: Tradição familiar, espírito pioneiro e inovador, amor pela terra e paixão por ótimos vinhos.

Mais informações acesse:

http://www.pinord.com/

Referências:

“Blog Hedonista”: https://bloghedonista.com/2019/04/07/experiencia-penedes-2-700-anos-de-historia-vinicola-en-la-do-penedes/

“DO Penedès”: http://www.dopenedes.cat/en/subzones.php

“Blog Lovino”: https://blog.lovino.com.br/o-que-e-um-vinho-crianza/

“Blog Vinho Tinto”: https://www.blogvinhotinto.com.br/curiosidades/desvendando-vinhos-crianzas/

Degustado em: 2018

 

 

 

 







quinta-feira, 28 de maio de 2020

Viña Chatel Crianza tinto 2013


Sempre tive dificuldades para comprar vinhos espanhóis. Talvez fosse pela baixa oferta de rótulos atraentes ou simplesmente a incapacidade da minha parte de escolher o vinho que procurava ou pior: a visão pré-concebida que me impedia de comprar os vinhos certos para mim. Vou dizer que a famigerada opção 3. A minha cabeça era povoada por receios de comprar vinhos muito caros e que não me arrebatasse de tal maneira que me deixasse de joelhos ou aqueles muito baratos que fosse uma completa porcaria. Mas de algum tempo para cá fui descobrindo novas alternativas, locais de compras, sejam elas locais virtuais ou físicos, com novas regiões, castas ou blends inusitados e pouco conhecidos por aqui, propostas de vinhos, enfim, o leque abriu, percebi o quão diversificado a Espanha no que tange a sua cultura vitivinífera é e tudo o mais.

Então fui às compras e encontrei um da região tradicional de Penedès, que para mim era, até então nova, que estava a um surpreendente valor (R$ 24,90, na promoção), um crianza chamado Viña Chatel, da tradicional Bodegas Pinord, com um corte das castas Tempranillo (90%) e Cabernet Sauvignon (10%) da safra 2013.

Algo importante é saber o conceito da palavra “crianza” para esse tipo de vinho e a sua importância para a proposta do vinho. O termo “crianza” não se significa que o vinho seja jovem (não significa “criança”), mas significa “envelhecimento”, ou seja, o tempo que o vinho maturou em barricas de carvalho. Na Espanha os termos “Crianza”, “Reserva” e “Gran Reserva” segue um padrão de vinificação, diferentemente em alguns países do Novo Mundo que as utiliza para definir a qualidade das suas uvas, mas também por mero marketing. O vinho que estampa no rótulo o termo “crianza” tem, por questão da lei, passar 24 meses na vinícola, sendo que, no mínimo 6 meses em barricas de carvalho e o resto evoluindo, descansando na garrafa até sair do produtor para o consumidor. Caso queira saber mais leia em: “Classificação dos vinhos espanhóis” 

Penedès

Essa é uma denominação de origem de vinhos produzidos na Catalunha, noroeste da Espanha. Uma das mais antigas regiões vinícolas da Europa. Uma das melhores da Espanha. Os limites geográficos da denominação de origem Penedès não coincidem nem com divisões geográficas nem políticas. Penedès estende-se por uma longa faixa de terra, entre as montanhas e o Mediterrâneo, no caminho que vai de Tarragona a Barcelona.


O clima é mediterrâneo. Os verões são quentes, os invernos são suaves, e as chuvas moderadas estão concentradas, principalmente na primavera e no outono. Mas a variação climática é bastante grande, dentro da região. A denominação é composta por 3 zonas distintas: Penedès Superior (próxima às cordilheiras do interior), Penedès Marítimo ou Baixo (entre o mar e as colinas costeiras) e Penedès Central (na planície entre essas duas zonas). Aproximadamente 75% dos vinhedos da denominação estão ocupados com vinhas de cepas brancas, sendo que as mais cultivadas são: Xarel-lo, Macabeu, Parellada, Chardonnay e Moscatel d’Alexandria. Entre as tintas, as mais cultivadas dentro das regras do conselho regulador são Merlot, Cabernet Sauvignon e Tempranillo. É possível observar, nessa região, uma tendência dos produtores para as cepas internacionais, em detrimento às nativas. O estilo dos vinhos de Penedès varia de secos a doces, tranquilos a espumantes, podendo ser brancos, tintos ou rosés. Os melhores tintos encorpados vêm do Alto Penedès, ou Penedès Superior. Os brancos frescos de maior destaque, em contrapartida, são produzidos no Baixo Penedès. Fonte: Tintos & Tantos (http://www.tintosetantos.com/index.php/denominando/592-penedes).

Agora o vinho:

Na taça o vinho apresenta uma cor vermelho escuro, intenso com reflexos violáceos com lágrimas em abundância, finas e que demora um pouco a se dissipar desenhando as paredes do copo.

No nariz, apesar da safra de 2013, o vinho ainda estava jovem, fresco, com aromas intensos de especiarias, com notas intensas de frutas vermelhas e um discreto mas agradável toque abaunilhado e de madeira, muito bem integrado ao conjunto do vinho, graças a passagem por 9 meses em barricas de carvalho.

Na boca reproduz-se as impressões olfativas, com a fruta preenchendo a boca, com um paladar agradável, suave, macio, devido ao tempo da passagem em madeira, mostrando um bom equilíbrio entre a mesma e o vinho, com taninos presentes mas sedosos e gentis com um bom final
Descobri e consegui exorcizar todos os meus questionamentos quanto aos vinhos espanhóis, percebendo ainda que é possível degustar bons rótulos daquele país a valores extremamente convidativos ao bolso. Viña Chatel surpreendente pelo valor baixo, entregando mais do que vale, mostrando ainda que, caso queira, tem bom potencial de guarda, onde o degustei com 7 anos de vida! Vinho de personalidade, alguma estrutura, mas fácil de degustar. 13% de teor alcoólico.

Sobre a Bodegas Pinord:

Bodegas Pinord tem mais de cem anos de experiência em vinificação na região de Penedès, no nordeste da Espanha, em seu nome. Eles produzem vinhos e cavas (espumantes), usando métodos tradicionais, herdados de seus ancestrais. Hoje, o uso de tecnologia de ponta, juntamente com uma equipe excepcional de profissionais esforçados, ajuda a tornar seus vinhos e cavas famosos em todo o mundo. A história da Bodegas Pinord remonta ao tempo em que, há mais de cento e cinquenta anos, a família Tetas começou a produzir vinhos brancos e tintos em sua propriedade em Sant Cugat Sesgarrigues a partir de uvas que eles mesmos haviam cultivado. Mesmo naquela época, eles produziam e envelheciam os vinhos usando os métodos mais tradicionais empregados na região. Em 1942, Josep Maria Tetas instalou a atual vinícola em Vilafranca del Penedès, a apenas quatro quilômetros da propriedade original. É o nome desta vinha que, de fato, inspirou a família a criar o nome da empresa: “Pi del Nord” (Pinheiro do Norte) e hoje, que foi reconvertida para a agricultura orgânica, fornecendo à vinícola uvas de alta qualidade, assim como fez séculos antes. Naquela época, Miquel Tetas, pai de Josep Maria, fermentou uvas Xarel·lo de suas vinhas e, uma vez que foi dito, ele viajou a noite toda com um cavalo e uma carroça e dois barris de 500 litros para vender seus vinhos em Barcelona, ​​onde os habitantes desfrutaram muito da delicadeza de seus vinhos. Logo, Josep Maria Tetas, que era um homem inquisitivo e empreendedor, observou como alguns de seus vinhos jovens emitiam espontaneamente pequenas quantidades de dióxido de carbono - bolhas como os petilantes franceses ou os frizzantes italianos. Ele começou a investigar como fermentar suas uvas, a fim de manter essa efervescência em seus vinhos. Reynal, o primeiro vinho pérola fabricado na Espanha, foi o resultado de sua pesquisa. O sucesso foi imediato e foi muito além das expectativas: muito em breve, a Pinord começou a exportar seus vinhos para todo o mundo e a vinícola cresceu rapidamente. Eles estenderam a vinícola e aumentaram a produção. Foi durante esses anos que Marrugat Cavas foi criado usando o sobrenome da esposa de Josep Maria Teta, cuja família há muito estava ligada à produção de vinho na região de Penedès. Eles também começaram a fazer uma variedade de vinhos tranquilos, muscadelle e outras especialidades que compunham um portfólio muito amplo de vinhos, ganhando elogios da vinícola e fama internacional durante os anos cinquenta e sessenta. Foi nessa época que Pinord se tornou um dos pontos de referência da vinificação em Penedès. Nos últimos anos, a Bodegas Pinord ampliou sua gama de produtos e começou a produzir vinhos em outras denominações de vinhos na Espanha. Estes novos vinhos são todos feitos usando métodos de agricultura biológica.

Geração após geração, a filosofia da família Tetas pode ser resumida nas seguintes palavras: Tradição familiar, espírito pioneiro e inovador, amor pela terra e paixão por ótimos vinhos.

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