Visual: revela tonalidade rubi
intensa, fechada, escura, com halos violáceos e viscosidade, que mancha as
bordas do copo. As lágrimas são grossas e lentas, e em profusão.
Nariz: traz aromas explosivos
de frutas pretas maduras, com destaque para amoras e ameixas, em compota, remetendo
a uma cesta de frutas, sem ser enjoativo. As notas amadeiradas entregam
complexidade, dando aporte de baunilha, torrefação, café, leve tosta,
especiarias doces, ervas finas e pimenta e um floral típico da casta.
Boca: é macio e elegante, com
muita austeridade e personalidade. Tem bom volume de boca, é cheio, com bom
corpo, replica as notas frutadas, tem taninos perceptíveis, mas suaves,
maduros, redondos, a acidez é vívida, com plenitude, porém é equilibrada. O
toque do carvalho é mais evidente no paladar e entrega chocolate, tosta,
especiarias e um final persistente.
Visual: revela um rubi
intenso, escuro, com reflexos violáceos. É concentrado e é corroborado pelas
lágrimas densas, lentas e em profusão que mancham as bordas do copo.
Nariz: revela austeridade e as
notas de frutas negras maduras entregam frescor e um vinho maduro, ao mesmo
tempo. Aromas selvagens, como especiarias, ervas, fazenda, terra molhada,
mostram rusticidade. Toques amadeirados aportam leve tosta, baunilha.
Boca: tem estrutura,
personalidade e elegância. Replicam-se as notas frutadas, trazendo a sensação
de um vinho carnudo e volumoso, sem dúvida bem equilibrado no paladar. Os
taninos são marcados, presentes, mas redondos, é alcóolico, mas sem agredir, a
acidez é média e o carvalho traz toques de chocolate e cacau e o final longo e
cheio.
Estágio: 12 meses em barricas
de carvalho francês e americano.
Análise:
Visual: apresenta vivaz
coloração rubi, de média intensidade, com reflexos granada, denotando boa
evolução, com lágrimas finas, lentas, densas, viscosas e em profusão.
Nariz: aromas frescos de
frutas vermelhas, o que surpreende pelos seus já seis anos de vida, com notas
discretas e agradáveis de carvalho, com notas balsâmicas e de especiarias, com
destaque para a pimenta, ervas finas.
Boca: traz estrutura e
personalidade, mas a sedosidade típica da cepa, um vinho extremamente
equilibrado que entrega maciez e volume de boca, simultaneamente. As notas
frutadas são percebidas, os taninos ainda vivos, marcados, mas dóceis, a acidez
surpreende por ser vibrante e salivante corroborando seu frescor. As notas
amadeiradas, um pouco mais evidente, em relação ao aspecto olfativo, entrega caramelo
e chocolate. Final longo.
Visual:
revela um amarelo mais intenso, tendendo para o dourado, com algum brilho,
apesar de seus 4 anos de garrafa, com discretos reflexos esverdeados.
Nariz:
aromas de frutas de polpa branca, algo cítrico, como maçã-verde, por exemplo,
além de um destacado pêssego maduro, com toques florais. Traz toques minerais e
herbáceos que lembra grama cortada. Muito frescor apesar de seus quatro anos de
vida.
Boca:
é sedutor, saboroso, replica-se as notas frutadas, algo como frutas maduras e
de polpa branca. Tem boa acidez, uma acidez correta, ainda com algum destaque,
com um final instigante e retrogosto frutado.
Visual:
apresenta um rubi com intensidade, porém com reflexos violáceos brilhantes, com
lágrimas finas, em profusão e rápidas.
Nariz:
traz aromas plenos de frutas vermelhas e pretas frescas, com destaque para
ameixa, amora e framboesa, com nuances florais, de especiarias e um discreto
amadeirado, bem como a baunilha.
Boca:
é fresco, leve, tem média estrutura, saboroso, equilibrado, graças a curta
passagem por barricas que também afinou os taninos, deixando-os redondos, com
uma acidez média e final persistente.
Visual:
revela um lindo e brilhante rubi com alguma intensidade e reflexos violáceos,
com rápidas lágrimas finas e coloridas.
Nariz:
expressa uma interessante e boa diversidade de aromas, as quais se destacam as
frutas vermelhas frescas, com destaque para morango, cereja e framboesa, com
sutis notas de especiarias, algo, diria, de cravo.
Boca:
é fresco, vibrante, com média intensidade de estrutura, elegante, macio, as
notas frutadas são igualmente perceptíveis no paladar, com taninos aveludados,
acidez vibrante, além de um final persistente e retrogosto frutado.
Visual:
rubi intenso, escuro, fechado, com discretos reflexos violeta, alguma
viscosidade, lágrimas grossas, lentas e abundantes.
Nariz:
apresenta frutas negras maduras, como ameixa e groselha, além de notas de café,
torrefação, baunilha, graças ao aporte do carvalho. Tabaco, couro, terra
molhada e um floral são percebidos também.
Boca:
tem corpo médio para mais, bom volume de boca, quente, taninos gordos,
presentes, mas macios, acidez equilibrada, frutado, amadeirado, mas respeitando
o caráter da cepa e um final persistente.
Definitivamente os vinhos da Salton fazem parte da minha
história de simples e reles enófilo. Sempre costumo falar da Vinícola Miolo,
mas a Salton tem o seu pedaço importante em minha vida afetiva e emocional com
os vinhos.
Mas não apenas afetivo e emocional, mas também no quesito da
qualidade, principalmente. Afinal é o que vale! A afeição e o carinho a um
vinho e/ou produtor se constroem com a qualidade e a tipicidade de seus
rótulos, afinal.
E faz algum tempo que não aprecio os rótulos da Salton e hoje
o retorno às suas degustações será premiada com rótulos, ditos, “premium” da
vinícola: a linha “Domênico”, que carrega o nome de seu fundador, então esperemos
algo de bom, muito bom nessa nova linha de vinhos da gigante Salton.
Além da linha “Domênico”, que vislumbra novidades na linha
“Premium” da Salton, ela também visa privilegiar uma região que está em franca
ascendência entre os terroirs brasileiros, a Campanha Gaúcha, tanto que faz
questão de carregar seu nome no vinho.
Como falei a linha “Domênico” faz homenagem a Antônio
Domênico Salton, imigrante que iniciou a história da empresa há mais de cem
anos. Segundo Maurício Salton, presidente da Salton, esta é a primeira
“marca-conceito” da Salton e vem sendo trabalhada pelos jovens enólogos da quarta
geração da família. O que entusiasma, apesar do caráter “industrial” da
vinícola, dado o seu tamanho no mercado, ela mostra que ainda é familiar,
enaltecendo o seu passado.
Então sem mais delongas vamos às apresentações! O vinho que
degustei e gostei veio, como disse, da Campanha Gaúcha e se chama Domênico
Campanha, composto pelo inusitado e excelente corte de Marselan (76%) e Tannat
(24%) da safra 2017. Para não perder o costume vamos também de histórias, vamos
de Campanha Gaúcha.
Campanha Gaúcha
Entre o encontro de rios como Rio Ibicuí e o Rio Quaraí,
forma-se o do Rio Uruguai, divisa entre o Brasil, Argentina e Uruguai. Parte da
Campanha Gaúcha também recebe corpo hídrico subterrâneo, o Aquífero Guarani
representa a segunda maior fonte de água doce subterrânea do planeta, dele
estando 157.600 km2 no Rio grande do Sul.
A Campanha Gaúcha se espalha também pelo Uruguai e pela
Argentina garante uma cumplicidade com os “hermanos”
do outro lado do Rio Uruguai. Os costumes se assemelham e os elementos locais
emprestam rusticidade original: o cabo de osso das facas, o couro nos tapetes,
a tesoura de tosquia que ganha novas utilidades.
Campanha Gaúcha
No verão, entre os meses de dezembro a fevereiro, os dias
ficam com iluminação solar extensa, contendo praticamente 15 horas diárias de
insolação, o que colabora para a rápida maturação das uvas e também ajuda a
garantir uma elevada concentração de açúcar, fundamental para a produção de
vinhos finos de alta qualidade, complexos e intensos.
As condições climáticas são melhores que as da Serra Gaúcha e
tem-se avançado na produção de uvas europeias e vinhos de qualidade. Com o bom
clima local, o investimento em tecnologia e a vontade das empresas, a região
hoje já produz vinhos de grande qualidade que vêm surpreendendo a vinicultura
brasileira.
A mais de 150 anos, antes mesmo da abolição da escravatura, a
fronteira Oeste do Rio Grande do Sul já produzia vinhos de mesa que eram
exportados para os países do Prata (Uruguai, Argentina e Paraguai) e vendidos
no Brasil.
A primeira vinícola registrada do Brasil ficava na Campanha
Gaúcha. Com paredes de barro e telhado de palha, fundada por José Marimon, a
vinícola J. Marimon & Filhos iniciou o plantio de seus vinhedos em 1882, na
Quinta do Seival, onde hoje fica o município de Candiota.
E o mais interessante é que, desde o início da elaboração de
vinhos na região, os vinhos da Campanha Gaúcha comprovam sua qualidade
recebendo medalha de ouro, conforme um artigo de fevereiro de 1923, do extinto
jornal Correio do Sul de Bagé.
IP (Indicação de Procedência) da Campanha Gaúcha
Em 2020 a Campanha Gaúcha ganhou reconhecimento de Indicação
de Procedência (IP) para seus vinhos. Aprovada pelo Inpi na modalidade de I.P.,
a designação vem sendo utilizado pelas vinícolas da região a partir do ano de
2020 para os vinhos finos, tranquilos e espumantes, em garrafa.
A Indicação Geográfica (IG) foi o resultado de mais de 5 anos
de pesquisa, discussões e estudos de um grupo interdisciplinar coordenados pela
Embrapa Uva e Vinhos do Rio Grande do Sul.
Além disso, os vinhos devem ser elaborados a partir das 36
variedades de vitis viníferas permitidas pelo regulamento, plantados em sistema
de condução em espaldeira e respeitando os limites máximos de produtividade por
hectare e os padrões de qualidade das frutas que seguirão para a vinificação.
Finalmente, os vinhos precisam ser avaliados e aprovados sensorialmente às
cegas por uma comissão de especialistas.
Esta é uma delimitação localizada no bioma Pampa do estado do
Rio Grande do Sul, região vitivinícola que começou a se fortalecer na década de
1980, ganhando novo impulso nos anos 2000, com o crescimento do número de
produtores de uva e de vinho, expandindo a atividade para diversos municípios
da região.
A área geográfica delimitada totaliza 44.365 km2. A IP
abrange, em todo ou em parte, 14 municípios da região: Aceguá, Alegrete, Bagé,
Barra do Quaraí, Candiota, Dom Pedrito, Hulha Negra, Itaqui, Lavras do Sul,
Maçambará, Quaraí, Rosário do Sul, Santana do Livramento e Uruguaiana.
A Campanha Gaúcha está situada entre os paralelos 29º e 31º
Sul e trata-se de uma zona ensolarada, com as temperaturas mais elevadas e o
menor volume de chuvas entre as regiões produtoras do Sul do Brasil.
Ao mesmo tempo, as parreiras – predominantemente plantadas em
sistema de espaldeira – foram estabelecidas em grandes extensões de planície
(altitude entre 100 e 360 m.) com encostas de baixa declividade, o que favorece
a mecanização das colheitas, reduz os custos e potencializa a escala produtiva.
Uma característica importante é o solo basáltico e arenoso, com boa drenagem,
que somada aos outros fatores propicia a ótima qualidade das uvas.
Esta foi uma conquista para a região, que pode refletir em
uma garantia da qualidade de seus produtos. Fica a torcida para que, após muito
tempo de consistência de qualidade e de uma real identificação da tipicidade, a
Campanha Gaúcha possa ter o reconhecimento de uma Denominação de Origem (DO).
Leia aqui na íntegra o regulamento de uso da IP da Campanha Gaúcha.
Na taça revela um lindo e brilhante rubi com entornos
violáceos, com uma bela profusão de lágrimas finas e lentas que desenham as
bordas do copo.
No nariz traz um aroma exuberante de frutas frescas, de
frutas vermelhas com destaque para morangos, amoras, framboesas e groselhas,
além de um floral, de violeta que corrobora a sua condição de frescor mesmo que
aos seis anos de garrafa. Tem sutis notas de baunilha, especiarias e carvalho
graças aos 21 meses em barricas de carvalho que o Tannat passou.
Na boca é extremamente elegante, seco, macio, redondo, mas
com alguma estrutura e complexidade, tudo isso envolto em notas frutadas
evidentes, quase que em compota, a fruta tem protagonismo como no olfativo. A
madeira protagoniza trazendo a baunilha, o mentolado, o couro, com taninos bem
sedosos, mas vivazes, bem como a sua acidez que, embora correta, equilibrada, é
salivante, com um final guloso e persistente.
Não é apenas uma nomenclatura, algo que designa qualidade que
fomenta interesses ou dita regras de etiqueta social, mas a tipicidade, a
qualidade de um rótulo que expressa fielmente o terroir da Campanha Gaúcha e
toda a sua ascendência, o prestígio de uma região. Definitivamente trata-se de
um belíssimo vinho! Tem 13% de teor alcoólico.
Sobre a Vinícola Salton:
Antônio Domênico Salton veio para o Brasil em 1878 e junto
com seus filhos fundou em 1910 a vinícola que é reconhecida por ser a maior
produtora brasileira de espumantes e top 3 entre as produtoras de vinho no
Brasil!
Nos anos 1980 o forte da empresa era a produção e venda de conhaque.
O vinho deixava a desejar e para mudar essa realidade foi contratado o enólogo
Lucindo Copat, um dos fundadores da Vinícola Aurora. Novos equipamentos foram
comprados e a produção foi modernizada.
Outro marco foi a criação em 1995 do projeto que resultaria
em 2002 no Salton Talento e na nova unidade no distrito de Tuiuty, que trouxe
tecnologia de ponta para a empresa. No ano de 2019 a empresa inaugurou a bela
Enoteca Salton na capital paulista. Local que mais do que pronto para a compra
de vinhos, serve como um ponto para degustar os sabores que a Salton tem.
Na extensa lista de conquistas destes mais de 100 anos de
história comemora o fato de ser familiar e 100% brasileira. Com a terceira
geração à frente da empresa, tanto na Unidade em Bento Gonçalves quanto em São
Paulo, revela em seus quadros a quarta geração Salton, que promete o mesmo
empenho e dedicação com que a empresa foi comandada até agora.
Quando eu descobri essa linha, até então, nova de rótulos da
Vinícola Miolo, eu estava com a adega vazia de vinhos desse importante produtor
brasileiro. Importante para a vitivinicultura nacional e muito importante para
aminha vida, a minha trajetória de enófilo.
Eu não tinha nenhum vinho da Miolo em minha humilde adega!
Logo a Miolo que foi tão importante para a minha construção de enófilo, tão
importante naquela indispensável transição dos vinhos de mesa, das uvas
americanas, para as uvas finas, as vitis
viníferas.
E o que foi mais legal não foi apenas repor a minha adega com
um rótulo da Miolo, foi repor a adega e também trazer uma linha nova de vinhos
da vinícola com uma casta autóctone, ou seja, nativa de Portugal, tida como a
famosa das castas tintas de terras lusitanas: Touriga Nacional.
Eu nunca tinha visto ou sequer sabia de vinhos brasileiros
com a casta emblemática portuguesa, a Touriga Nacional. E quando descobri foi
graças a uma premiação que esse vinho da Miolo conquistou adivinha onde? Sim,
ganhou um prêmio em Portugal, onde a cepa reina absoluta e goza de muita
qualidade, tipicidade.
O prêmio, cujos detalhes podem ser lidos aqui, foi
conquistado em um concurso com a chancela da Organização Internacional da Vinha
e do Vinho (OIV) e o este rótulo da poderosa Miolo conquistou uma medalha de
ouro, ou seja, laureado com a honraria máxima deste concurso de suma
importância.
Claro que não podemos definir as nossas escolhas ou
predileções com prêmios e medalhas, afinal, como costumar dizer nós degustamos
vinhos e não prêmios, mas confesso que nesse caso me surpreendeu e me chamou a
atenção para degustar esse vinho e pensei: Irei comprar esse vinho um dia.
Com a premiação o vinho conquistou reconhecimento, projeção e
muitos e-commerces, sites especializados em vendas de vinhos passaram a
oferta-lo, mas ainda um pouco caros, infelizmente. E preferi esperar um pouco
mais. Quando, em uma dessas visitas aleatórias em sites de vinhos, observei o
vinho em questão a um preço atraente e com alguns cupons de descontos que se
tornou mais do que viável a sua compra. O fiz e o guardei por cerca de dois a
três anos na adega. Esperei o melhor momento para tê-lo em minha taça!
E eis que o dia chegou! Então sem mais delongas vamos às
apresentações! O vinho que degustei e gostei veio da já imponente Campanha
Gaúcha e se chama Miolo Single Vineyard e a casta, claro, é a Touriga Nacional
da safra 2019.
A Touriga Nacional deste rótulo da Miolo foi cultivada no
vinhedo da Quinta do Seival e provém de um micro-lote que expressa as
características do Terroir da Campanha Meridional, Rio Grande do Sul.
Para se chegar a este exemplar, a Miolo testou mais de vinte
variedades portuguesas no vinhedo do Seival, onde, além da Touriga Nacional,
apenas a Tinta Roriz e Alvarinho prosperaram com resultados espetaculares. E
por falar em Campanha Gaúcha, vamos de história dessa região que vem ganhando
projeção em todo o cenário vitivinícola brasileiro.
Campanha Gaúcha
Entre o encontro de rios como Rio Ibicuí e o Rio Quaraí,
forma-se o do Rio Uruguai, divisa entre o Brasil, Argentina e Uruguai. Parte da
Campanha Gaúcha também recebe corpo hídrico subterrâneo, o Aquífero Guarani
representa a segunda maior fonte de água doce subterrânea do planeta, dele
estando 157.600 km2 no Rio grande do Sul.
A Campanha Gaúcha se espalha também pelo Uruguai e pela
Argentina garante uma cumplicidade com os “hermanos” do outro lado do Rio
Uruguai. Os costumes se assemelham e os elementos locais emprestam rusticidade
original: o cabo de osso das facas, o couro nos tapetes, a tesoura de tosquia
que ganha novas utilidades.
Campanha Gaúcha
No verão, entre os meses de dezembro a fevereiro, os dias
ficam com iluminação solar extensa, contendo praticamente 15 horas diárias de
insolação, o que colabora para a rápida maturação das uvas e também ajuda a
garantir uma elevada concentração de açúcar, fundamental para a produção de
vinhos finos de alta qualidade, complexos e intensos.
As condições climáticas são melhores que as da Serra Gaúcha e
tem-se avançado na produção de uvas europeias e vinhos de qualidade. Com o bom
clima local, o investimento em tecnologia e a vontade das empresas, a região
hoje já produz vinhos de grande qualidade que vêm surpreendendo a vinicultura
brasileira.
A mais de 150 anos, antes mesmo da abolição da escravatura, a
fronteira Oeste do Rio Grande do Sul já produzia vinhos de mesa que eram
exportados para os países do Prata (Uruguai, Argentina e Paraguai) e vendidos
no Brasil.
A primeira vinícola registrada do Brasil ficava na Campanha
Gaúcha. Com paredes de barro e telhado de palha, fundada por José Marimon, a
vinícola J. Marimon & Filhos iniciou o plantio de seus vinhedos em 1882, na
Quinta do Seival, onde hoje fica o município de Candiota.
E o mais interessante é que, desde o início da elaboração de
vinhos na região, os vinhos da Campanha Gaúcha comprovam sua qualidade
recebendo medalha de ouro, conforme um artigo de fevereiro de 1923, do extinto
jornal Correio do Sul de Bagé.
IP (Indicação de Procedência) da Campanha Gaúcha
Em 2020 a Campanha Gaúcha ganhou reconhecimento de Indicação
de Procedência (IP) para seus vinhos. Aprovada pelo Inpi na modalidade de I.P.,
a designação vem sendo utilizado pelas vinícolas da região a partir do ano de
2020 para os vinhos finos, tranquilos e espumantes, em garrafa.
A Indicação Geográfica (IG) foi o resultado de mais de 5 anos
de pesquisa, discussões e estudos de um grupo interdisciplinar coordenados pela
Embrapa Uva e Vinhos do Rio Grande do Sul.
Além disso, os vinhos devem ser elaborados a partir das 36
variedades de vitis viníferas
permitidas pelo regulamento, plantados em sistema de condução em espaldeira e
respeitando os limites máximos de produtividade por hectare e os padrões de
qualidade das frutas que seguirão para a vinificação. Finalmente, os vinhos
precisam ser avaliados e aprovados sensorialmente às cegas por uma comissão de
especialistas.
Esta é uma delimitação localizada no bioma Pampa do estado do
Rio Grande do Sul, região vitivinícola que começou a se fortalecer na década de
1980, ganhando novo impulso nos anos 2000, com o crescimento do número de
produtores de uva e de vinho, expandindo a atividade para diversos municípios
da região.
A área geográfica delimitada totaliza 44.365 km2. A IP
abrange, em todo ou em parte, 14 municípios da região: Aceguá, Alegrete, Bagé,
Barra do Quaraí, Candiota, Dom Pedrito, Hulha Negra, Itaqui, Lavras do Sul,
Maçambará, Quaraí, Rosário do Sul, Santana do Livramento e Uruguaiana.
A Campanha Gaúcha está situada entre os paralelos 29º e 31º
Sul e trata-se de uma zona ensolarada, com as temperaturas mais elevadas e o
menor volume de chuvas entre as regiões produtoras do Sul do Brasil.
Ao mesmo tempo, as parreiras – predominantemente plantadas em
sistema de espaldeira – foram estabelecidas em grandes extensões de planície
(altitude entre 100 e 360 m.) com encostas de baixa declividade, o que favorece
a mecanização das colheitas, reduz os custos e potencializa a escala produtiva.
Uma característica importante é o solo basáltico e arenoso, com boa drenagem,
que somada aos outros fatores propicia a ótima qualidade das uvas.
Esta foi uma conquista para a região, que pode refletir em
uma garantia da qualidade de seus produtos. Fica a torcida para que, após muito
tempo de consistência de qualidade e de uma real identificação da tipicidade, a
Campanha Gaúcha possa ter o reconhecimento de uma Denominação de Origem (DO).
Leia aqui na íntegra o regulamento de uso da IP da Campanha Gaúcha.
E agora finalmente o vinho!
Na taça revela um vermelho bem intenso, escuro, com alguma
viscosidade, com lágrimas espessas, grossas, lentas e em profusão que desenham
as bordas do copo.
No nariz traz os aromas complexos e evidentes das frutas
vermelhas e negras bem maduras, diria em estágio de geleia, com as notas
florais, de violetas, de tipicidade da Touriga Nacional, com a madeira também
assumindo destaque, graças aos 12 meses em barricas de carvalho, que entregam
baunilha, couro, tabaco, café, torrefação, chocolate.
Na boca é igualmente complexo, austero, trazendo untuosidade, volume,
estruturado, mas se mostra equilibrado, macio, sendo fácil de degustar. A fruta
e a madeira são notadas e estão em plena convergência e entrega frescor, notas
de baunilha, terra molhada, caramelo, café torrado, chocolate, além de taninos
presentes, marcados, mas de boa textura, domado, com acidez correta e um final
cheio e persistente, um final frutado.
“O fato de ganharmos
Ouro com o Touriga Nacional em Portugal, na sua terra de origem, valida ainda
mais todo o trabalho que vem sendo construído há 19 anos no projeto Seival na
Campanha Meridional”.
Adriano Miolo, superintendente da Miolo.
Muito melhor que a celebração de um prêmio conquistado por
esta linha de rótulos da Miolo é a corroboração de um terroir que expressa toda
a sua realidade, todas as suas características e que este grande produtor fez e
faz questão de projetar em seus rótulos. É a prova contundente que mesmo se
tratando de um vinho de volume traz, entrega qualidade, tipicidade,
desmistificando qualquer questionamento oriundo de visões preconceituosas de
aristocratas do vinho que insistem em dizer que todo o vinho produzido em larga
escala é ruim. É a comprovação de que o elo entre este humilde enófilo com essa
grande vinícola ainda está vivo e pleno, uma parceria que irá perdurar por anos
e anos e que ainda me proporciona grandes novidades. Que venham outros tantos!
Tem 14,5% de teor alcoólico!
Sobre a Vinícola Miolo:
A paixão pelo mundo fascinante do vinho é facilmente
explicada pela história da família Miolo que, além de trabalhar na
vitivinicultura desde a chegada de Giuseppe no Brasil em 1897, inova ano após
ano. Uma das fundadoras do projeto Wines of Brasil, a Miolo Wine Group é a
maior exportadora de vinhos do Brasil e a mais reconhecida no mercado
internacional. A produção dentre as 4 vinícolas do grupo soma, em média, 10
milhões de litros por ano numa área cultivada de vinhedos próprios com aproximadamente
1.000 hectares.
A Miolo exporta para mais de 30 países de todos os
continentes. É o maior exportador de vinhos finos do Brasil. De 30 hectares em
1989, a Miolo cultiva hoje, 30 safras mais tarde, cerca de 950 hectares de
vinhedos em quatro terroirs brasileiros: Vale dos Vinhedos (Serra Gaúcha),
Seival/Candiota (Campanha Meridional), Almadén/Santana do Livramento (Campanha
Central) e Terranova/Casa Nova (Vale do São Francisco), sendo a única empresa
do setor genuinamente brasileira com atuação em quatro diferentes regiões
produtoras.
Com uma produção anual de cerca de 10 milhões de litros, é a
marca que detém o maior portfólio de rótulos verde amarelos, exibindo centenas
de prêmios conquistados no mundo inteiro. O pioneirismo na elaboração dos
vinhos se estendeu para o enoturismo, onde a marca gera experiência,
aproximando e formando novos apreciadores da bebida. Assim é no Vale dos
Vinhedos com o Wine Garden Miolo, assim é no Vale do São Francisco com o Vapor
do Vinho pelo Velho Chico, onde a Miolo transformou o sertão em vinhedo. Este
mesmo espírito empreendedor que fez da pequena vinícola familiar a maior
produtora de vinhos finos do Brasil em apenas 30 safras, é que move gerações e
aproxima quem sonha de quem quer fazer.
Me pego refletindo se ter essa preocupação de regiões,
terroirs, de safras, de potencial de guarda, de países é válido, haja vista que
teríamos que apenas nos permitir degustar. Mas até para a simples manifestação
da degustação, para se ter o prazer ou a qualidade nesse simplório momento,
vejo como necessário ter o mínimo entendimento desses, digamos, quesitos.
Quesitos esses que também podem formatar a nossa
identificação com os vinhos que degustamos, isso, creio, seja o mais relevante.
Até porque o aprendizado, o caminho a ser percorrido na estrada do vinho, passa
por isso também.
Claro que tais entendimentos não precisam ser tão
aprofundados, não há a necessidade de sermos catedráticos nesses assuntos,
claro que se for de desejo o estudo pode ser vislumbrado, mas o mínimo pode ser
entendido ou absorvido para melhorar, ainda mais, na qualidade do que inunda as
nossas taças.
De algum tempo para cá tenho me enamorado, cada vez mais,
pelos Tannats brasileiros! Claro que a referência da casta que temos é a uruguaia,
com os seus parrudos rótulos, dada a devida proposta de vinho, claro, mas assim
são conhecidos: vinhos austeros, intensos, marcantes e complexos.
O que percebo, observo a cada experiência sensorial dos
nossos Tannats é a fruta protagonizando, em sinergia com a madeira, com vinhos
mais saborosos, intensos também, mas não tão parrudos, encorpados como os
tradicionais uruguaios.
diferença, as especificidades de cada um, de cada terroir.
Uma não supera a outra, a diferença, repito, é a grande maravilha do vasto e
ainda inexplorado universo do vinho e é por isso que ele é encantador. E isso é
fomentado pela busca do conhecimento.
E uma região brasileira vem despontando, além da tipicidade,
como também na expertise no cultivo e produção da Tannat, é a Campanha Gaúcha.
A campanha sempre foi o “patinho feio” da gigante vizinha Serra Gaúcha, ficando
sempre no esquecimento.
Porém hoje a Campanha se tornou ou vem se tornando uma grata
realidade, entregando tipicidade e se igualando, em qualidade atestada, na
produção de grandes vinhos e a Tannat vem se destacando. E graças a Campanha os
Tannats brasileiros invadiram a minha taça e adega e de lá teimam em sair.
E o vinho de hoje traz uma novidade: o produtor. Não o
conhecia e achei a sua linha de rótulos com valores extremamente atrativas, nos
provando, ainda que de forma escassa, de que podemos encontrar vinhos, com
propostas mais “audaciosas”, ou seja, complexas, com preços verdadeiramente
atraentes, embora isso tudo seja um tanto quanto subjetivo.
E ele já está a pelo menos 3 anos na adega, evoluindo e hoje,
aos 8 anos de garrafa, me parece no auge, no ápice para uma boa e satisfatória
degustação. E é chegada a hora da degustação! Sem mais delongas o vinho que
degustei e gostei teve as uvas oriundas da Campanha Gaúcha e vinificado na
Serra Gaúcha e se chama Parole di Famiglia, um 100% Tannat da safra 2015. E
para não perder o costume, claro, vamos às histórias, vamos de Campanha Gaúcha.
Campanha Gaúcha
Entre o encontro de rios como Rio Ibicuí e o Rio Quaraí,
forma-se o do Rio Uruguai, divisa entre o Brasil, Argentina e Uruguai. Parte da
Campanha Gaúcha também recebe corpo hídrico subterrâneo, o Aquífero Guarani
representa a segunda maior fonte de água doce subterrânea do planeta, dele
estando 157.600 km2 no Rio grande do Sul.
A Campanha Gaúcha se espalha também pelo Uruguai e pela
Argentina garante uma cumplicidade com os “hermanos” do outro lado do Rio
Uruguai. Os costumes se assemelham e os elementos locais emprestam rusticidade
original: o cabo de osso das facas, o couro nos tapetes, a tesoura de tosquia
que ganha novas utilidades.
No verão, entre os meses de dezembro a fevereiro, os dias
ficam com iluminação solar extensa, contendo praticamente 15 horas diárias de
insolação, o que colabora para a rápida maturação das uvas e também ajuda a
garantir uma elevada concentração de açúcar, fundamental para a produção de
vinhos finos de alta qualidade, complexos e intensos.
As condições climáticas são melhores que as da Serra Gaúcha e
tem-se avançado na produção de uvas europeias e vinhos de qualidade. Com o bom
clima local, o investimento em tecnologia e a vontade das empresas, a região
hoje já produz vinhos de grande qualidade que vêm surpreendendo a vinicultura
brasileira.
A mais de 150 anos, antes mesmo da abolição da escravatura, a
fronteira Oeste do Rio Grande do Sul já produzia vinhos de mesa que eram
exportados para os países do Prata (Uruguai, Argentina e Paraguai) e vendidos
no Brasil.
A primeira vinícola registrada do Brasil ficava na Campanha
Gaúcha. Com paredes de barro e telhado de palha, fundada por José Marimon, a
vinícola J. Marimon & Filhos iniciou o plantio de seus vinhedos em 1882, na
Quinta do Seival, onde hoje fica o município de Candiota.
E o mais interessante é que, desde o início da elaboração de
vinhos na região, os vinhos da Campanha Gaúcha comprovam sua qualidade
recebendo medalha de ouro, conforme um artigo de fevereiro de 1923, do extinto
jornal Correio do Sul de Bagé.
IP (Indicação de Procedência) da Campanha Gaúcha
Em 2020 a Campanha Gaúcha ganhou reconhecimento de Indicação
de Procedência (IP) para seus vinhos. Aprovada pelo Inpi na modalidade de I.P.,
a designação vem sendo utilizado pelas vinícolas da região a partir do ano de
2020 para os vinhos finos, tranquilos e espumantes, em garrafa.
A Indicação Geográfica (IG) foi o resultado de mais de 5 anos
de pesquisa, discussões e estudos de um grupo interdisciplinar coordenados pela
Embrapa Uva e Vinhos do Rio Grande do Sul.
Além disso, os vinhos devem ser elaborados a partir das 36
variedades de vitis viníferas permitidas pelo regulamento, plantadas em sistema
de condução em espaldeira e respeitando os limites máximos de produtividade por
hectare e os padrões de qualidade das frutas que seguirão para a vinificação.
Finalmente, os vinhos precisam ser avaliados e aprovados sensorialmente às
cegas por uma comissão de especialistas.
Esta é uma delimitação localizada no bioma Pampa do estado do
Rio Grande do Sul, região vitivinícola que começou a se fortalecer na década de
1980, ganhando novo impulso nos anos 2000, com o crescimento do número de
produtores de uva e de vinho, expandindo a atividade para diversos municípios
da região.
A área geográfica delimitada totaliza 44.365 km2. A IP
abrange, em todo ou em parte, 14 municípios da região: Aceguá, Alegrete, Bagé,
Barra do Quaraí, Candiota, Dom Pedrito, Hulha Negra, Itaqui, Lavras do Sul,
Maçambará, Quaraí, Rosário do Sul, Santana do Livramento e Uruguaiana.
A Campanha Gaúcha está situada entre os paralelos 29º e 31º
Sul e trata-se de uma zona ensolarada, com as temperaturas mais elevadas e o
menor volume de chuvas entre as regiões produtoras do Sul do Brasil.
Ao mesmo tempo, as parreiras – predominantemente plantadas em
sistema de espaldeira – foram estabelecidas em grandes extensões de planície
(altitude entre 100 e 360 m.) com encostas de baixa declividade, o que favorece
a mecanização das colheitas, reduz os custos e potencializa a escala produtiva.
Uma característica importante é o solo basáltico e arenoso, com boa drenagem,
que somada aos outros fatores propicia a ótima qualidade das uvas.
Esta foi uma conquista para a região, que pode refletir em
uma garantia da qualidade de seus produtos. Fica a torcida para que, após muito
tempo de consistência de qualidade e de uma real identificação da tipicidade, a
Campanha Gaúcha possa ter o reconhecimento de uma Denominação de Origem (DO).
Leia aqui na íntegra o regulamento de uso da IP da Campanha Gaúcha.
A Campanha e o Tannat
A Campanha Gaúcha faz fronteira com o Uruguai e parte da
Argentina. Tão grande é a região que foi dividida em duas. A Campanha oriental,
na fronteira com a Argentina e a Campanha propriamente dita. Região das grandes
fazendas, do gaúcho estilizado, aquele que é conhecido por “Centauro dos Pampas”.
Por falar em pampa esta é uma região pastoril de planícies
com leves ondulações e possui, talvez o melhor pasto do mundo. Espalha-se por
parte da Argentina e todo o Uruguai e certamente dali sai a melhor carne do
mundo.
Mas além das pastagens únicas no mundo a Campanha tem um
clima muito demarcado, pode-se até considerá-lo um clima continental. Muito
frio no inverno e no verão muito sol e calor de dia, a noite refrescando nos
locais mais altos. O solo, muitas vezes rochoso, são ideais para o plantio da
uva.
E da uva para o vinho a Campanha vem produzindo e cultivando
grandes cepas para a produção de vinhos e isso não é novidade para ninguém,
sobretudo aos apreciadores da bebida que são informados e se interessam pelos
detalhes que o circunda. Mas a que se destaca é a Tannat!
Convém destacar que a Campanha está no mesmo paralelo de
grandes produtores mundiais de vinho como Mendoza, Santiago, Cidade do Cabo e
Austrália. O que, dá indícios de boas condições de produção de vinhos de
qualidade, por certo aliado a outros quesitos.
De gata borralheira na França, mais precisamente em Madiran,
onde nasceu a Tannat, para atingir o status de rainha no Uruguai onde
adaptou-se muito bem. O clima mais ensolarado e quente no verão em comparação
com o de Canelones nos arrabaldes de Montevidéu colabora para um Tannat mais
frutado e aromático. Menos rústico e rascante como é o tradicional desta casta
bastante tânica em sua origem.
E agora
finalmente o vinho!
Na taça revela um rubi intenso, quase escuro, com halos
acastanhados, discretamente atijolados, denotando os seus oito anos de garrafa
ou pelo fato de ter passado por barricas de carvalho ou pelos dois motivos, com
lágrimas finas, lentas e em abundância.
No nariz traz complexidade, porém é elegante e equilibrado,
com as notas frutadas ainda perceptíveis, apesar de uma idade razoavelmente
avançada, frutas negras e vermelhas maduras, com destaque para jabuticaba,
cereja, ameixa preta, morango e framboesa, uma verdadeira geleia de frutas. É
amadeirado e sente-se a baunilha, o couro, tabaco, especiarias, como canela, um
fundo de torrefação, de chocolate.
Na boca entrega também a complexidade, juntamente com o médio
corpo, mas é redondo, macio, afinal o tempo em garrafa lhe foi gentil, com as
notas frutadas em plena sinergia com a madeira, também evidente, os 16 meses em
barricas de carvalho denuncia isso, a madeira é bem calibrada e perceptível,
mas bem integrada. É um vinho volumoso, cheio, alcoólico, tem toques de
mentolado, caramelo, taninos presentes, porém dóceis, domados, com uma acidez
correta e final persistente e retrogosto que lembra café, torrefação.
Aqui vale uma curiosidade sobre o nome do vinho, “Parole di
Famiglia”:
A linha “Parole di Famiglia” foi idealizada em homenagem ao
fundador da Vinícola Don Affonso e tinha como princípio que a palavra dita
valia muito e costumava sempre dizer que “Le parole vale píu que la escrita”,
ou seja: “As palavras valem muito mais que o escrito”. Em sua homenagem a linha
“Parole di Famiglia” enaltece a tradição italiana desde 1870 onde a palavra “Parole”
traz consigo os traços da imigração e os valores de perseverança, força e honra
da família De Gasperín.
André Gasperín, enólogo.
A Campanha Gaúcha se revela gigante, importante para a
vitivinicultura brasileira. O Tannat encontrou o solo ideal para apresentar a
sua tipicidade, a realidade do seu clima, da sua cultura, da sua tipicidade. Um
Tannat frutado, vivaz, de marcante personalidade, equilibrado, taninos
evidentes, mas domados, acidez que aguça a degustação. Um vinho com a cara do
Brasil, com os aspectos mais exemplares e fiéis da Campanha Gaúcha. Grande e
espetacular vinho com uma audaciosa relação qualidade X preço. Tem 13% de teor
alcoólico.
Sobre a Vinícola Don Affonso:
A família Gasperin traz consigo uma história de muito
trabalho e dedicação pelo cultivo da uva, traz no sangue a trajetória de luta e
perseverança, bem como a religiosidade e a valorização dos princípios de vida
ligados a família e ao trabalho na terra. Dessa forma, Affonso Gasperin produzia
seus vinhos para consumo próprio a partir do cultivo das suas uvas e, o
excedente, vendia aos seus amigos.
O vinho era apreciado por todos e assim, a pedido dos seus
amigos e consumidores, Affonso constituiu oficialmente a Vinícola Gasperin, em 13
de julho de 1982. Desde sua fundação teve como princípios fundamentais a busca
pela qualidade dos seus produtos e o cuidado e carinho com a produção de uvas e
elaboração de vinhos, sucos e espumantes.
Hoje dirigida pelo destacado enólogo André Gasperin e equipe
vem ganhando destaque internacional na conquista de premiações em tradicionais
e renomados concursos de vinhos pelo mundo.